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Para entrar no mercado de trabalho, empresários apostam em incubadora
13/11/2012

Por Flávia Reis, Graziela Oliveira, Luiz Vieira e Faeza Rezende Do G1 Triângulo Mineiro


Algumas vezes, a vontade de abrir um negócio não é o suficiente para alcançar o sucesso. A ideia pode ser boa, o investimento garantido, mas sem um planejamento o projeto pode não prosperar antes mesmo de sair do papel. Por isso, para realizar o sonho da própria empresa, muitos empreendores apostam nas incubadoras, que ajudam a desenvolver ações e estratégias para gerir o empreendimento.

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a incubadora que pertence a uma universidade tem mais de 250 projetos a espera de ajuda. “Hoje, a gente tem vários agentes de fomento, que são aqueles mecanismos do governo ou da iniciativa privada que apoiam no desenvolvimento de negócios”, contou a gestora da incubadora, Raquel Resende.

O professor universitário Rafael Buso criou o protótipo de um produto que está prestes a entrar no mercado para integrar estudantes de engenharia ao mercado de trabalho. “A intenção é criar equipamentos que tivessem a capacidade didática em que o aluno fosse autônomo, que ele sozinho conseguisse se virar e desenvolver a prática porque em um curso à distância não há presença ostensiva do professor”, explicou Rafael.

 

Professor criou equipamentos para cursos e se prepara para o mercado
(Foto: Luiz Vieira/G1Triângulo Mineiro)

 

Para a comercialização, o professor abriu uma empresa e está concluindo o plano de negócio para buscar financiamento. Tudo é feito com a ajuda de uma incubadora. “Nós [a incubadora] somos um departamento da universidade que recebe boas ideias o ano todo. Se o seu projeto foi selecionado ele vai passar a contar com o apoio de uma equipe de consultores e profissionais na área de gestão e na área técnica e específica do seu projeto para ajudar nesse caminho de transformar a ideia em um negócio”, explicou Raquel.

Outro selecionado foi o empresário Ricardo Reuter Ruas, que criou um descongelador eletrônico de sêmen. A ideia surgiu em 98, mas ele só conseguiu ganhar espaço no mercado com o auxílio profissional. “Eu tinha tudo na minha mente, já trabalhava há muitos anos, mas de uma forma ainda amadora. Com isso eu ganhei mais profissionalização no processo de comercialização e também da industrialização”, contou Ricardo.

O empreendedor Paulo Bittar apostou na tendência de utilização de tecnologia limpa na agropecuária e investiu na fabricação de medicamentos homeopáticos para uso veterinário. Ele contou que a incubadora ajudou a vislumbrar novos suportes para o trabalho, como a produção de material gráfico de qualidade e consultorias. "A grande contribuição foi a abertura de portas para a construção de uma ótima rede de contatos", explicou Paulo.

No ramo do marketing digital, dois empreendedores em Uberaba também apostaram na ajuda da incubadora para os negócios prosperarem. Vinicius Marques trabalhava em uma empresa de assistência técnica de informática e pediu demissão para montar o próprio negócio no ramo de tecnologia de informação. “Agora, as empresas vêm em busca da gente para poder fazer alguma ação. O pessoal já está aberto para as novas tecnologias”, contou. O empresário Humberto Lourenço também apostou no marketing digital, mas teve um pouco mais de dificuldade para tocar o negócio e precisou retornar à incubadora. Agora, ele se prepara para voltar ao mercado de trabalho. “Acredito que tudo dando certo, até o meio do ano que vem, já dá para ir lançando algumas ferramentas no mercado”, disse.

O sistema de incubação reduz a probabilidade de falência de uma empresa. Segundo o governo federal, o risco de uma empresa fechar as portas é de 20% no caso das incubadas e, para as demais, 70%. Além disso, com os ensinamentos, os empresários conseguem aos poucos conquistar a independência. Com a ajuda da incubadora, Alexandre Bastos lançou, em 2006, um "kit trânsito" com itens inovadores para o ensino dos futuros motoristas. “O produto é voltado para facilitar o aprendizado nas autoescolas e reduzir os índices de reprovação com dispositivos que ajudam a aprender de forma mais fácil”, explicou Alexandre.

 

Software usa 'realidade aumentada' no aprendizado
de crianças (Foto: Luiz Vieira/G1)

 

O kit fez sucesso e estimulou a criatividade e o espírito empreendedor em Alexandre que tem apenas o ensino médio. Seis anos depois ele se prepara para lançar o segundo produto no mercado. Uma aposta na interatividade para a alfabetização de crianças com um livro que usa o auxílio de um computador e uma câmera. Para aprender uma letra, basta tocar no marcador e o programa responde. A lição de empreendedorismo prosperou e, desta vez, a ideia de Alexandre chega ao consumidor sem a ajuda da incubadora. “O início de toda a ideia foi muito foco no produto, só que tem que caminhar paralelo: produto e gestão. O empreendedor tem que tomar muito cuidado, tem que planejar realmente”, contou.

O negócio do engenheiro Ricardo Naufel surgiu quando ele projetou um forno capaz de produzir carvão e ainda gerar energia. Sem sujeira, em menos de três horas, o produto fica pronto de forma sustentável. A ideia era boa, mas para vendê-la o engenheiro teve que aprender a ser empreendedor. “Nós não tínhamos ideia do quão difícil era fazer negócio. Quando você faz engenharia é muito mais simples, mas quando você começa a fazer engenharia para inserir no mercado um produto novo é diferente”, disse o engenheiro.

O projeto está em fase final de desenvolvimento. Ele já conseguiu alguns patrocinadores e comercializou as primeiras unidades. Hoje, produz também incentivo para novos empreendedores. “A primeira palavra é resiliência porque nos obtivemos muitos insucessos para ter um sucesso. Então se o empreendedor declina do primeiro insucesso e não é obstinado, provavelmente ele vai ter dificuldade em chegar à concepção dos objetivos iniciais do projeto”.

 

http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2012/11/para-entrar-no-mercado-de-trabalho-empresarios-apostam-em-incubadora.html

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